SAUDAÇÕES AOS CAMPEÕES

Acompanhei a trajetória de Ricardo Maurício na Fórmula 3000 de perto. Bem de perto, na verdade. Na época, eu já morava na Áustria e redigia os textos para a assessoria de imprensa do Enrique Bernoldi, seu companheiro de equipe na Red Bull Junior Team. Volta e meia, encontrava os dois em Graz ou em Salzburg, para jogarmos tênis e darmos boas risadas. Eu curtia viver as aspirações de dois pilotos jovens e rápidos tentando ascender à Fórmula 1. Eles, a companhia de alguém do distante Brasil, que quebrasse a dura rotina de preparo físico, viagem e competição acirrada em que viviam.

Bernoldi acabou chegando lá em 2001. Foi o primeiro do programa de jovens pilotos da Red Bull a entrar na F-1, uma aposta pessoal de Helmut Marko. Nada contra Bernoldi, mas não me conformo até hoje que a Mauricio jamais foi dada uma chance para testar na categoria. Afinal, o primeiro pódio da Red Bull Junior Team foi dele, na Hungria em 2000 (eu estive lá e fiz a foto acima). Seguiram outros três pódios em 2001 e mais um no ano seguinte. Ele fez por merecer.

O “Little Man”, como era chamado pela equipe, não desistiu. Ainda tentou permanecer na Europa, ganhando o título da F-3 Espanhola em 2003. Depois, foi para o Brasil correr na Stock e mostrou uma adaptação bem rápida à categoria, mais do que muitos colegas seus também oriundos dos monopostos europeus. O título deste ano mostra que ele vai andar entre os primeiros por muito tempo ainda. E que quando falam no ótimo nível dos pilotos da categoria, não é exagero não. Ricardinho é um nome que ajuda a puxar a média lá prá cima. Um pilotaço.

Parabéns, campeão!

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Falando em campeões, impossível não deixar de citar o sexto título nacional do São Paulo. Para mim, foi o primeiro desde 1977 em que não vi nenhum jogo ao vivo. Uma grande pena. Mas valeu pela bonita virada promovida pelo time a partir do meio de agosto. Falam que o tricolor não ganhou o título, mas sim que Grêmio e Palmeiras o perderam. Acho que 18 rodadas sem perder são uma boa resposta à esta teoria. Aqui, como na Stock, um título merecido.

Parabéns, hexacampeão!

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Arquivado em Enrique Bernoldi, Fórmula 3000, Hungaroring, Ricardo Maurício

1000 POSTS!

Este é um momento festivo. O blog, que nem completou um ano e meio de existência, chega a seu milésimo post. Mil histórias, brincadeiras, informações, sons, viagens, pensamentos que eu, por algum motivo, achei legal dividir. E você, por algum motivo também, achou por bem entrar aqui e ler. Nesse período, viajamos juntos pelo planeta acompanhando uma temporada inteira da Fórmula 1, compartilhamos nossas coleções de miniaturas (sim, elas não sumiram e vão voltar em breve), nossos álbuns de figurinha, gostos musicais, corridas no melhor simulador já criado (ah, GPL) e opiniões sobre os mais diversos assuntos. Essencialmente, claro, sobre automobilismo, nossa paixão mútua.


É curioso que uma efeméride tão significativa para mim chegue num momento tão conturbado no esporte. A Fórmula 1 criou uma bolha que julgava impenetrável e percebeu hoje, com a decisão da Honda, que não é imune a esta crise. Mas, ora, se for para ficarmos preocupados, que não seja com a Fórmula 1. É uma vitrine muito grande e com enorme tradição, que vai se sustentar. Cara, mercantilista, blindada e arrogante nos últimos tempos? Sim. Mas quando é dada a largada, quando o esporte vem à tona, o recado continua sendo dado. O campeonato de 2008 foi uns dos mais emocionantes de sua história, com um final cinematográfico. Quem não ficou com o coração palpitando como um buscapé descontrolado naqueles minutos finais da corrida em Interlagos, torcesse para quem fosse? Não é por isso que amamos as corridas?


Aos que me escreveram nas últimas horas perguntando se a F-1 iria acabar: não, não vai. Pode perder carros no grid, pode adotar medidas impopulares para diminuir custos, mas a verdade é que, com dois, doze ou vinte carros no grid, ou algum número em torno desses, milhões de pessoas estarão com os olhos vidrados nas telas de tevê do planeta aguardando a largada do GP da Austrália no dia 29 de março. Querendo saber como o tal do KERS vai se sair, como os slicks vão influenciar a tática das equipes, como os estreantes suportarão a pressão por resultados inerente à categoria. E esse golpe profundo, no fundo, vai ser ótimo: uma chacoalhada necessária para quem estava rompendo de forma cada vez mais irresponsável com suas raízes.


No fundo, a única coisa que me preocupa é o que está acontecendo no Brasil. O kartismo vai minguando, há uma categoria de monopostos e a sucessão do poder na CBA segue em meio a acusações sérias e um clima nada construtivo. A Stock e a Truck vão bem, obrigado, mas são casos isolados de sucesso. No fundo, não fosse pela ação de gente íntegra e competente como a turma da Seletiva de Kart Petrobras (que dão um prêmio em dinheiro) e o pessoal da Fórmula 3 Sul-Americana (que garantem um teste na Indy Lights ao campeão), não haveria incentivo nenhum para os garotos que sonham um dia em chegar na Fórmula 1. Isso sim é grave. Afinal, tirando o futebol, o esporte mais popular do País é o automobilismo, sim senhor, basta ir atrás de qualquer pesquisa feita nesse sentido recentemente. Ver a estrutura do esporte dar as costas a essa paixão é o que me tira o sono.


Por tudo isso, quando corro os olhos pelos outros 999 posts deste espaço, abro um sorriso enorme de satisfação. O blog não tem patrocínio, não é atrelado a nenhum portal, não tem complexo de negrito. É feito por puro amor e sua única pretensão é a de ser um espaço no qual as pessoas entram, silenciosas ou comentando, para relembrar em pequenas gotas que gostamos mesmo é de um ESPORTE chamado corrida (e de boa música, obviamente). E é essa satisfação que garante o clima de festa.

Assim, um recado aos pessimistas: se um dia não tivermos mais Fórmula 1, ou esporte a motor no Brasil, podem ficar tranqüilos. Chegaremos a dez mil posts, nos quais trarei aqui fotos e vídeos das disputas e corridas da Pipoca, este bichinho da foto acima. Discutiremos a vantagem do pouco peso de um Pinscher na hora da largada e de como a orelha enorme pode representar um enorme ganho aerodinâmico quando colocada para trás. E de como ela, Pipoca, acelera prá cacete e ganha seus troféus sem perder a humildade. Viajei, mas você entendeu o espírito, não é?


Queria agradecer a todos vocês por terem entrado aqui (e a todos amigos e parceiros da blogosfera que abrem um canal em seus domínios até este aqui). Saibam que uma das coisas que mais me diverte é pensar e executar este espaço, para interagir com uma audiência tão bacana.E, em outra coincidência curiosa, o blog chega ao milésimo post justo no dia marcado com enorme antecedência para uma pequenasegunda lua-de-melcom minha cara metade. Melhor motivo para festejar não há. O trem para Sereníssima parte em breve. Nos vemos na segunda-feira, rumo ao dez mil. Até !

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SAYONARA HONDA! E AGORA?

- Já na época dos testes havia este rumor. Pelo jeito, o quadro se complicou desde então. É surpreendente. Justo a Honda, que parecia ser a equipe mais estável…

Foi o que me disse Lucas Di Grassi há pouco por telefone. O anúncio no Japão de que o time será colocado à venda é iminente. Muitas fontes já confirmam o fato. É uma bomba que tende a ter um efeito devastador na Fórmula 1. Porque a Toyota vem sofrendo as mesmas perdas nas vendas de automóveis nos mercados norte-americano e asiático. Porque o senhor Dietrich Mateschitz, apesar de vender bebidas e não carros, busca um comprador para a Toro Rosso. E ainda não sabe se vale a pena bancar sozinho o time em 2009 caso este não apareça. Porque corremos o risco de ter um grid com apenas 16 carros no dia 29 de março em Melbourne, Austrália. E contando…

Há pouquíssimo tempo, a categoria achava que passaria incólume à crise financeira. Bastaria fazer alguns cortes aqui e ali. Agora, é melhor todo mundo sentar junto, ver o que deu errado e arrumar alguma solução. E, numa hora dessas, vamos ser justos e dar razão a Max Mosley. Há anos ele defende as equipes independentes e avisou que, no dia que a situação ficar feia, as montadoras sairão da F-1 rapidinho. É o que está acontecendo.

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A foto é só para lembrarmos de uma F-1 mais bela e mais simples. Quem sabe não sirva de inspiração para os homens do poder atuais?

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Arquivado em Honda, John Surtees, Nürburgring

O ENCONTRO

Muita gente lamenta que Michael Schumacher e Lewis Hamilton jamais se encontraram na Fórmula 1, com o heptacampeão se aposentando um ano antes da entrada do novo fenômeno das pistas na categoria. É por isso que a foto acima tem um significado todo especial, um registro raro da única ocasião em que os dois duelaram numa mesma pista (tente identificá-los). Foi na última rodada dupla do Mundial de Kart de 2001, disputada na pista de Kerpen, a casa do alemão. Foram duas baterias classificatórias e mais duas finais, que valiam pontos. Hamilton ficou em sétimo lugar em ambas, seus melhores resultados naquele ano. Schumacher terminou a primeira muito atrás, em 25°, mas esteve em terceiro lugar antes de ter problemas com um dos eixos do kart. O alemão terminou a outra final em segundo lugar. Também no grid: Vitantonio Liuzzi (o campeão daquele ano), Nico Rosberg, Marko Asmer, Giedo Van der Garde, Franck Perera e Loic Duval, entre outros nomes menos conhecidos.


Schumacher e Hamilton nunca mais se enfrentaram.

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Arquivado em Kart, Lewis Hamilton, Michael Schumacher, Nico Rosberg

FOTO DO DIA – GP DO CANADÁ DE 1972

Chris Amon caminha para o sexto lugar em Mosport, com a mais bela das damas como testemunha. Espetacular!

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Arquivado em Matra, Mosport

“NÃO SEI NEM COMO VENCER”

De volta pro meu aconchego, deu tempo para dar uma folheada no material da imprensa de língua alemã sobre o GP do Brasil, colhido pacientemente pela minha gatinha na minha ausência. O que mais me chamou a atenção foi a óbvia desaprovação por parte dos torcedores a mais uma demonstração de desequilíbrio de Norbert Haug. Enquanto Massa reconhecia a perda do título com a grandeza de um monarca, o chefe esportivo da Mercedes-Benz choramingava aos microfones da tevê ao ser perguntado da ultrapassagem de Vettel sobre Hamilton a duas voltas do fim. “Não temos ninguém que nos ajude. Nem mesmo nossos amigos alemães”.

Claro, no raciocínio do cérebro adiposo de Haug, Vettel é um herege por ousar colocar em risco um título de sua marca e dar a conquista de presente para aquele timeco italiano e seu pilotinho brasileiro. Pelo menos, nos poupou do ridículo de elogiar Timo Glock pelos “serviços prestados à pátria”.

Mau Sapão, mau Sapão…

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Arquivado em Interlagos, Mercedes-Benz