Este é um momento festivo. O blog, que nem completou um ano e meio de existência, chega a seu milésimo post. Mil histórias, brincadeiras, informações, sons, viagens, pensamentos que eu, por algum motivo, achei legal dividir. E você, por algum motivo também, achou por bem entrar aqui e ler. Nesse período, viajamos juntos pelo planeta acompanhando uma temporada inteira da Fórmula 1, compartilhamos nossas coleções de miniaturas (sim, elas não sumiram e vão voltar em breve), nossos álbuns de figurinha, gostos musicais, corridas no melhor simulador já criado (ah, GPL) e opiniões sobre os mais diversos assuntos. Essencialmente, claro, sobre automobilismo, nossa paixão mútua.
É curioso que uma efeméride tão significativa para mim chegue num momento tão conturbado no esporte. A Fórmula 1 criou uma bolha que julgava impenetrável e percebeu hoje, com a decisão da Honda, que não é imune a esta crise. Mas, ora, se for para ficarmos preocupados, que não seja com a Fórmula 1. É uma vitrine muito grande e com enorme tradição, que vai se sustentar. Cara, mercantilista, blindada e arrogante nos últimos tempos? Sim. Mas quando é dada a largada, quando o esporte vem à tona, o recado continua sendo dado. O campeonato de 2008 foi uns dos mais emocionantes de sua história, com um final cinematográfico. Quem não ficou com o coração palpitando como um buscapé descontrolado naqueles minutos finais da corrida em Interlagos, torcesse para quem fosse? Não é por isso que amamos as corridas?
Aos que me escreveram nas últimas horas perguntando se a F-1 iria acabar: não, não vai. Pode perder carros no grid, pode adotar medidas impopulares para diminuir custos, mas a verdade é que, com dois, doze ou vinte carros no grid, ou algum número em torno desses, milhões de pessoas estarão com os olhos vidrados nas telas de tevê do planeta aguardando a largada do GP da Austrália no dia 29 de março. Querendo saber como o tal do KERS vai se sair, como os slicks vão influenciar a tática das equipes, como os estreantes suportarão a pressão por resultados inerente à categoria. E esse golpe profundo, no fundo, vai ser ótimo: uma chacoalhada necessária para quem estava rompendo de forma cada vez mais irresponsável com suas raízes.
No fundo, a única coisa que me preocupa é o que está acontecendo no Brasil. O kartismo vai minguando, só há uma categoria de monopostos e a sucessão do poder na CBA segue em meio a acusações sérias e um clima nada construtivo. A Stock e a Truck vão bem, obrigado, mas são casos isolados de sucesso. No fundo, não fosse pela ação de gente íntegra e competente como a turma da Seletiva de Kart Petrobras (que dão um prêmio em dinheiro) e o pessoal da Fórmula 3 Sul-Americana (que garantem um teste na Indy Lights ao campeão), não haveria incentivo nenhum para os garotos que sonham um dia em chegar na Fórmula 1. Isso sim é grave. Afinal, tirando o futebol, o esporte mais popular do País é o automobilismo, sim senhor, basta ir atrás de qualquer pesquisa feita nesse sentido recentemente. Ver a estrutura do esporte dar as costas a essa paixão é o que me tira o sono.
Por tudo isso, quando corro os olhos pelos outros 999 posts deste espaço, abro um sorriso enorme de satisfação. O blog não tem patrocínio, não é atrelado a nenhum portal, não tem complexo de negrito. É feito por puro amor e sua única pretensão é a de ser um espaço no qual as pessoas entram, silenciosas ou comentando, para relembrar em pequenas gotas que gostamos mesmo é de um ESPORTE chamado corrida (e de boa música, obviamente). E é essa satisfação que garante o clima de festa.
Assim, um recado aos pessimistas: se um dia não tivermos mais Fórmula 1, ou esporte a motor no Brasil, podem ficar tranqüilos. Chegaremos a dez mil posts, nos quais trarei aqui fotos e vídeos das disputas e corridas da Pipoca, este bichinho da foto acima. Discutiremos a vantagem do pouco peso de um Pinscher na hora da largada e de como a orelha enorme pode representar um enorme ganho aerodinâmico quando colocada para trás. E de como ela, Pipoca, acelera prá cacete e ganha seus troféus sem perder a humildade. Viajei, mas você entendeu o espírito, não é?
Queria agradecer a todos vocês por terem entrado aqui (e a todos amigos e parceiros da blogosfera que abrem um canal em seus domínios até este aqui). Saibam que uma das coisas que mais me diverte é pensar e executar este espaço, para interagir com uma audiência tão bacana.E, em outra coincidência curiosa, o blog chega ao milésimo post justo no dia marcado com enorme antecedência para uma pequena “segunda lua-de-mel” com minha cara metade. Melhor motivo para festejar não há. O trem para Sereníssima parte em breve. Nos vemos na segunda-feira, rumo ao dez mil. Até lá!